


A TMC Brasil realizou ontem sua reunião mensal no Blue Tree Faria Lima, em São Paulo. Os diretores das sete agências que interam a associação - Avipam/BCD Travel, BBTur, Carlson Wagonlit Travel, Flytour American Express Business Travel, HRG Brasil/BTI e Kontik Franstur - tinham uma pauta tecnológica para o encontro: receber os três grandes GDS’s que operam no Brasil. Na parte da manhã a TMC Brasil recebeu Sidney Alonso da Travelport Brasil e Luis Ambar do Sabre. Na parte da tarde, Marcos Torres do Amadeus. Todos com executivos e profissionais de vendas de suas empresas. Os problemas e as posições a serem discutidas foram muitos:

Luis Ambar do Sabre e Nelson Spielmann

Nelson Spielmann e Marcos Torres, presidente da Amadeus Brasil
A VISÃO
TMC Brasil: a entidade quer se posicionar oficialmente sobre o problema dos sistemas de distribuição, notadamente no aéreo doméstico. O fato de GOL e TAM terem optado por soluções próprias de distribuição, desintegrando o mercado e deixando os GDS’s, obrigou estes a um enxugamento de suas operações e levou as TMC’s a investirem milhões de reais em tecnologia, cada uma com uma solução diferente, sem comunicação entre si. A desintegração de conteúdo impactou a eficiência e a rentabilidade das agências. “Precisamos de cultura tecnológica para trabalhar para nossos clientes”, disse Nelson Spielmann, presidente da TMC Brasil. A ótica em relação às duas companhias aéreas domésticas é que elas resolveram seu problema de distribuição e de gestão estratégica de conteúdo, transferindo para os back-offices das TMC’s os processos subseqüentes exigidos pelos clientes. Ou seja, houve transferência de custos, que oneram em demasia as TMC’s, situação que precisa ser revista. O problema de instabilidade (paradas) dos webservices TAM e GOL também prejudicam muito as operações. Embora o ideal seja a volta da GOL e da TAM aos GDS’s, não há indicação que isso possa vir a acontecer.
Companhias aéreas (GOL e TAM): acham muito cara a distribuição via GDS’s, o principal investimento em sistemas próprios já foi efetuado e, aparentemente, estão satisfeitas. Têm conversado assíduamente com GDS’s e TMC’s sobre distribuição, mas nada conclusivo. Não existe nenhum país do mundo onde cerca de 90% do conteúdo aéreo doméstico está fora dos GDS’s. Só no Brasil.
GDS’s: com a desintegração provocada com os sistemas próprios GOL e TAM, tiveram que se “reinventar” nos últimos anos no Brasil. No início não consideravam concorrentes os sistemas integradores alternativos (Reserve, etc), mas as necessidades do mercado obrigaram a uma mudança estratégica de foco.
NA PRÁTICA
TMC Brasil: pretende promover reuniões conjuntas com companhias aéreas e GDS’s, para discutir os problemas de distribuição, conteúdo, back-offfice e custos. Precisa se posicionar. Segundo Nelson Spielmann, “não podemos mais assumir gastos que cabem à aviação”. As TMC’s concordaram que se tivessem se unido para desenvolver soluções (bases) tecnológicas comuns, mas customizadas para cada TMC, teriam economizado e estariam economizando muito dinheiro.
GDS’s: Travelpor e Sabre não acreditam na volta das companhias aéreas aos GDS’s. O Amadeus preferiu não comentar o assunto (está fechando um grande contrato com a TAM). Os três GDS’s já desenvolveram novas soluções que integram em uma só tela o conteúdo de todas as companhias aéreas, inclusive GOL e TAM - os produtos foram demonstrados à TMC Brasil. Um mais completo do que o outro, um mais finalizado do que o outro, mas todos desenvolvidos com o mesmo objetivo, com funcionalidades que permitem a conexão a produtos já existentes e, principalmente, com a qualidade da infra-estrutura e com o peso do nome de cada GDS. As novas soluções começam a ser disponibilizadas já a partir do próximo mês. “Vamos oferecer uma solução completa e definitiva para o mercado”, disse Luis Ambar do Sabre. A frase não foi dita de forma igual por Sidney Alonso e por Marcos Torres, mas também se aplica aos produtos da Travelport Brasil e do Amadeus. E com um diferencial: o objetivo dos três GDS’s não é atender um pequeno número de agências e sim pulverizar as soluções no mercado.
(Outubro/2008)
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